terça-feira, 30 de junho de 2020

“NÃO PROSPERARÁ”: Diz o homem mais rico de Israel (PROVÉRBIOS 28)

Pastor Luis Carlos
(Igreja Batista Memorial em Aiquara - BA)

reprodução do google imagens

Qual será a causa que nega, ao homem de Deus, tal feito mesmo este observando todas preceitos das leis da prosperidade? Salomão marcava posição como homem mais rico de Israel. Em seu reinado, diz a Escritura, “à prata, nos dias de Salomão, não se dava estimação nenhuma (...) Também o rei tornou a PRATA tão comum em Jerusalém como as PEDRAS” (2Cr 9.20,27). 

Numa caminhada pelo palácio, não foi difícil perceber marcas da piedade do rei Salomão, de Davi, de seu pai. Enquanto caminhava observei que, ao no fundo, os levitas dedilhavam seus instrumentos e uma cançãozinha sussurrava em meus ouvidos.

Um passo ali, outro aqui, e vi uma sala de oração. Certamente Salomão viu Davi orando. Isso, com certeza, ele aprendeu desde o berço. Percebeu que muito do sucesso da trajetória de seu pai, adveio, não de suas notáveis habilidades com a espada, nem do bradar da lança, e muito menos da coragem e destemor de seus soldados. Tudo isso tornou-se coadjuvante frente ao poder secreto da oração. Que Davi era homem de oração, ah, era! Meu rosto cora de vergonha só em ler seus textos sobre este assunto e comparar com, digamos, minha vida de preces e súplicas.

Salomão me viu parado frente à capelinha. Me aprovou pelo olhar e, de repente, me diz algo que viveu e queria que eu nem passasse por perto. Ele me disse: “Seu pastor”. Logo olhei para ele com olhar de piedade achando que o rei iria orar por mim. Que engano! O monarca me adverte que oração sem piedade, sem vida no altar, deixa Deus irritado. Insistir para ele me explicar melhor. Então, o sábio afirmou: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável”. PEDI para ele repetir. Fiquei zonzo, fora de mim. Lembrei do saudoso pastor Israel, quando dizia que, “no telhado da igreja havia milhares de orações abrigadas entre as telhas. Eram orações de gente que não tinha compromisso com Deus”. Valer-me meu Jesus Cristo de Nazaré. Acho que as telhas já estão pedindo socorro ao ceramista para alargar sua capacidade de armazenamento. Acho, também, que quando levanto minha voz, em oração, eles desejariam estar em outra casa. Coisas de um coração pecador, que todo dia necessita da graça de Deus. 

Minhas orações, muitas vezes, triunfalistas, que usam palavras para reafirmar minhas convicções de poder sobre o outro, que evocam favores divinos para realçar minha imagem perante o outro, com petições realçadas de princípios que não vem das ruas de ouro, mas do lago de fogo que cheira enxofre. Só a graça de Deus e o operar do Santo Espírito que transforma isso em linguagem espiritual e aceitável a Deus.

Quando leio as orações do rei Davi, presentes no salmo 30, 38,39,40,51, entre outros, logo percebo o abismo presente entre minha espiritualidade e a do rei que era “segundo o coração de Deus”. Faço tudo para me apresentar limpo, apresentável, ataviado diante do trono do Senhor. Minhas palavras e expressões tão bem articuladas parecem impressionar meus interlocutores. Mas, o sábio me chamou atenção para a palavra abominar. O vocábulo aponta para aquilo que é odiado, repelido, detestável. Cuide, seu pastor, para que suas preces não padeçam das marcas da piedade. Parei, dei mais uns passos desconcertados. Olhei em volta e vi na escadaria do palácio 12 leões de prata que brilhavam sob os fortes raios de sol. Eles pareciam me acudir pois estava atordoado como ensinamento de hoje. 

Meus pés apontavam que eu já queria ir embora. Agradeci a gentileza advindas do lindo palácio. Desci o primeiro degrau e passei a mão em um dos leões buscando me refazer, me reencontrar. Dei uma olhada para trás e lá estava o rei e seus escravos. Mais um passo e a voz grave ecoou: “Pastor”. Olhei e saiu mais uma pérola. Ele me disse para nunca esquecer do que ouvi hoje. Achei, entretanto, que a lição já havia encerrado. Mas mestre excelente sempre passa dever de casa. Aí está: “O que ENCOBRE as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as CONFESSA e DEIXA, alcançará misericórdia. 

Apreciei todos verbos e seus contrastes presentes no período frasal. Até agora estou meditando. Será que ...?

Bem, meus irmãos. A esta hora já estava nos últimos degraus daquela interminável escadaria. Meu coração estava moído, mas grato ao Senhor pelo quebrantamento gerado em minha alma.
Acenei um tchau para o rei e sua comitiva. Obrigado majestade, disse eu. Suas mãos crivadas de anéis de ouro balançavam. Mais uns passos e ouvi a voz rasgando o entorno do palácio: “pastor, uma notinha de rodapé. Não confunda RIQUEZA com PROSPERIDADE. 

Dei mais um obrigado e entendi que minhas orações, nem a quantidade delas, não são senhas que abrem as portas da prosperidade. O “NÃO PROSPERARÁ” é resultado da ausência de piedade.

MAIS uns passos apressados e...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Enquete sobre EBD