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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nova lei abre brecha à perseguição religiosa na Argentina

A Argentina não faz parte da Classificação da Perseguição Religiosa e nem tem pontuação suficiente para entrar no rol dos países que mais perseguem cristãos, mas a igreja já experimenta certa hostilidade vinda do próprio governo. Apesar de ter a liberdade religiosa garantida pelo artigo 14 da Constituição Nacional, o estado de Córdova criou uma lei provincial, que visa prevenir qualquer situação de "manipulação psicológica". A lei tem criado uma grande polêmica por abrir uma brecha para a perseguição à igreja no país. De acordo com os relatórios da Portas Abertas, ela tem sido usada abusivamente e aplicada a organizações religiosas. O artigo 3 da mesma estabelece que a manipulação psicológica pode ocorrer "através de grupos que usem técnicas que demonstrem uma grande devoção ou dedicação a uma pessoa, ideia ou objeto, e que empregue em sua dinâmica proselitismo ou doutrina, técnicas persuasivas de coerção que promovam a destruição de personalidade".

Depois que a lei foi inserida à Constituição, o líder cristão Marcelo Nleva afirmou ter sido acusado por políticos e pela polícia argentina de manter uma "seita controversa". "Depois das acusações, o ódio contra a igreja tem aumentado de forma significativa, principalmente depois que a imprensa local divulgou o ocorrido. As pessoas têm quebrado as janelas da igreja e saqueado as propriedades dos frequentadores", diz Marcelo. O líder cristão tem enfrentado a perseguição desde junho de 2014, conforme mostra a matéria Argentina luta para manter sua liberdade religiosa, divulgada no mesmo ano. Recentemente, enquanto Marcelo dirigia seu carro, junto com sua esposa, que está grávida de seu segundo filho, percebeu que estava sendo seguido.

"Um carro foi se aproximando até bater no nosso, várias vezes. Tentei fugir, mas ele continuou nos perseguindo, até que paramos em um farol, e então percebi que eles não estavam sozinhos. O motorista de outro carro nos encarou e tentou tirar uma arma do porta-luvas. Com medo de ser baleado novamente, dirigi a toda velocidade para proteger minha família. Agora temos um guarda que vigia a igreja 24 horas por dia", conta ele. Após relatar o incidente à polícia local, houve investigações e o homem foi preso. No dia seguinte, o abrigo de mulheres que funciona perto da igreja e que é dirigido pela esposa de Marcelo, foi apedrejado. De acordo com o advogado da igreja, Zeverin Escribano: "A perseguição tem ocorrido por que a igreja se esforça para combater o tráfico de drogas, bem como o tráfico humano". E Marcelo finaliza: "Em meus 37 anos de ministério, nunca imaginei que a igreja na Argentina poderia ser atacada, logo em nosso país que se orgulha de ser tolerante", conclui. Ore por essa nação.

Fonte: Portas Abertas Internacional

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